GUIA TÉCNICO • INSPEÇÃO DE TUBOS

RFT vs IRIS: qual técnica usar em tubos de trocador de calor

As duas técnicas inspecionam tubos por dentro, mas respondem a perguntas diferentes. Este guia explica como cada uma funciona, o que entrega e como combiná-las numa parada.

Resposta curta

RFT (Remote Field Testing) e ECT (correntes parasitas) são técnicas eletromagnéticas rápidas, ideais para varrer muitos tubos e localizar defeitos e perda de parede. IRIS (Internal Rotary Inspection System) é ultrassom rotativo: mais lento, mas mede a espessura remanescente de forma quantitativa. Na prática, os dois se complementam: triagem eletromagnética em todo o feixe e IRIS nos tubos que precisam de medição exata.

Como funciona o RFT

O RFT usa uma bobina excitadora e bobinas receptoras afastadas cerca de dois a três diâmetros. O campo atravessa a parede duas vezes, o que torna a técnica sensível a perdas de parede internas e externas em tubos ferromagnéticos, como aço-carbono.

A sonda percorre o tubo em alta velocidade e não exige acoplante. Por isso é muito usada em trocadores de calor, caldeiras, aquecedores e resfriadores a ar com tubos de aço.

Correntes parasitas (ECT) em tubos não ferromagnéticos

Em tubos de latão, cobre-níquel, aço inoxidável austenítico ou titânio, a técnica indicada é a de correntes parasitas convencional (bobina bobbin). É rápida e detecta pites, trincas, desgaste em chicanas e afinamento geral.

Como funciona o IRIS

O IRIS gira um espelho a alta rotação dentro do tubo cheio de água, direcionando um feixe ultrassônico à parede. O resultado é um mapa de espessura em 360° ao longo do tubo, com medição direta da parede remanescente.

Exige tubo limpo, água como acoplante e velocidade de puxada baixa. É, por isso, muito mais lento por tubo do que RFT ou ECT.

RFT/ECT vs IRIS: comparativo

CritérioRFT / ECTIRIS
PrincípioEletromagnéticoUltrassom rotativo
VelocidadeAlta (feixe completo)Baixa (tubo a tubo)
Resultado da paredeAvaliação eletromagnética da perdaMedição quantitativa de espessura
Limpeza do tuboModeradaRigorosa
AcoplanteNão necessitaÁgua
Uso típicoTriagem de 100% dos tubosConfirmação e medição

Quando usar cada um

Use RFT/ECT quando o objetivo é inspecionar todo o feixe numa parada curta, identificar tubos com indicações e priorizar ações. Use IRIS quando é preciso um valor de espessura remanescente para cálculo de vida útil, verificação de amostragem ou confirmação de uma indicação.

A estratégia mais eficiente na maioria das paradas é a combinação: varredura eletromagnética em 100% dos tubos e IRIS numa amostra e nos tubos indicados.

Normas de referência

ISO 15549 (correntes parasitas — princípios gerais), ASTM E690 (ECT em tubos não magnéticos de trocadores), ASTM E2096/E2096M (RFT em tubos ferromagnéticos) e ASME BPVC Section V, Article 8. A conformidade depende do procedimento completo, da calibração, do pessoal qualificado e dos critérios de aceitação aplicáveis.

Perguntas frequentes

RFT substitui o IRIS?

Não. O RFT avalia a perda de parede por via eletromagnética e é ideal para triagem rápida; o IRIS mede a espessura por ultrassom. A avaliação RFT/ECT não equivale à medição quantitativa do IRIS.

Qual técnica é mais rápida?

RFT e ECT são muito mais rápidas por tubo, permitindo inspecionar 100% do feixe numa parada curta.

Qual técnica usar em tubos de aço-carbono?

Para triagem, RFT; para medição de espessura remanescente, IRIS.

E em tubos de inox, latão ou titânio?

Correntes parasitas convencionais (bobbin), por serem materiais não ferromagnéticos.

Equipamentos e apoio técnico

A Synvor comercializa equipamentos de ensaios não destrutivos e presta apoio técnico na seleção do método e da configuração adequada à sua aplicação. A execução da inspeção é do contratante ou da empresa de inspeção.