Por que o fundo é o ponto crítico
O costado de um tanque pode ser inspecionado visualmente e por medição de espessura com relativa facilidade. O fundo, não: fica apoiado sobre a fundação, em contato com solo, umidade e eventualmente água acumulada sob o produto. A corrosão pelo lado do solo (soil-side corrosion) atua fora de vista e costuma ser localizada — pites profundos em áreas restritas, e não perda uniforme de espessura.
Isso muda a lógica da inspeção. Não basta medir alguns pontos: é preciso cobrir a área do fundo inteira para encontrar onde estão as indicações antes de decidir onde medir com precisão.

O que a API 653 exige na avaliação do fundo
A API 653 — Tank Inspection, Repair, Alteration, and Reconstruction — rege a inspeção de tanques de armazenamento atmosféricos em serviço. Na inspeção interna, com o tanque fora de operação e limpo, a norma orienta a avaliação da condição do fundo para determinar a espessura remanescente mínima, comparar com a espessura mínima admissível e, a partir da taxa de corrosão, definir o intervalo até a próxima inspeção interna.
- Cobertura da área: a avaliação precisa localizar a pior condição do fundo, o que exige varredura e não amostragem isolada.
- Quantificação da perda: as indicações relevantes devem ser medidas para se obter a espessura remanescente real.
- Distinção topo/fundo: saber se a perda está no lado do produto ou no lado do solo altera o diagnóstico da causa e a estratégia de reparo e proteção catódica.
- Registro rastreável: a decisão sobre intervalo de inspeção precisa estar apoiada em dados documentados e posicionados.
Os requisitos aplicáveis, os critérios de aceitação e os cálculos são os do texto vigente da norma. Este guia é uma introdução ao método, não substitui a norma nem o julgamento do inspetor qualificado.
Como funciona a varredura MFL
O scanner MFL aplica um campo magnético intenso à chapa de aço do fundo, levando-a próximo à saturação magnética. Numa chapa íntegra, o fluxo permanece contido dentro do metal. Onde há perda de metal — corrosão generalizada, pite, erosão — a seção disponível diminui e parte do fluxo é forçada para fora da chapa. Essa fuga é captada por sensores no cabeçote do equipamento.
A amplitude do sinal está relacionada ao volume de metal perdido; a posição do sensor que registrou o sinal dá a coordenada da indicação. O resultado é um mapa da chapa, com as áreas suspeitas identificadas e localizadas para verificação posterior.
Equipamentos com canais de MFL e canais adicionais de correntes parasitas (ECT) conseguem também discriminar se a perda está na superfície superior (lado do produto) ou inferior (lado do solo) — uma informação que muda o encaminhamento da análise de causa.
MFL e ultrassom: papéis distintos, não concorrentes
| Aspecto | Varredura MFL | Medição ultrassônica (UT) |
|---|---|---|
| Função | Triagem e localização de perda de metal | Quantificação da espessura remanescente |
| Cobertura | Área contínua da chapa | Ponto a ponto |
| Resultado | Mapa com indicações posicionadas | Valor de espessura no ponto medido |
| Momento | Primeira etapa | Verificação das indicações |
Tentar cobrir o fundo apenas com UT é inviável em tempo de parada; usar apenas MFL não fornece o valor de espessura que entra no cálculo. O fluxo correto é sequencial: MFL cobre e aponta, UT confirma e mede.
Planejamento de uma varredura de fundo
- 1Preparação da superfície: o fundo precisa estar limpo, seco e livre de resíduos e revestimento solto — o acoplamento magnético e a velocidade de varredura dependem disso.
- 2Definição do plano de chapas: numeração das chapas, faixas de varredura e sobreposição entre passes.
- 3Calibração em placa de referência com defeitos artificiais conhecidos, ajustada à espessura nominal do fundo.
- 4Varredura das áreas abertas com o scanner e uso de equipamento manual nas faixas próximas ao costado, soldas e acessórios internos.
- 5Marcação das indicações e medição ultrassônica de espessura nos pontos relevantes.
- 6Consolidação em relatório com mapa por chapa, espessura mínima encontrada e taxa de corrosão.
Limitações e cuidados
MFL tem limite de espessura útil: quanto mais espessa a chapa, mais difícil saturá-la e menor a sensibilidade a perdas pequenas. Revestimentos espessos aumentam o afastamento entre sensor e metal (lift-off) e reduzem o sinal. Regiões de solda, cordões de reforço e a faixa anular junto ao costado exigem equipamento manual ou técnica complementar. E a interpretação do sinal continua dependendo de inspetor qualificado — o equipamento apresenta indicações, não laudos.
Onde entra o TANK-4000ME
O TANK-4000ME é o scanner MFL de fundo de tanque que a Synvor comercializa, com versão M2 que combina canais de MFL e de correntes parasitas para discriminação entre perda no topo e no fundo da chapa. A Synvor comercializa o equipamento e presta apoio técnico na seleção; a execução da inspeção é do contratante ou da empresa de inspeção.

