GUIA TÉCNICO • INTEGRIDADE DE TUBULAÇÕES

CUI — Corrosão sob Isolamento

A corrosão sob isolamento age escondida: o dano avança por baixo da manta e da chapa de revestimento, sem sinal visível, até a perda de contenção. Este guia explica o mecanismo, onde ele se concentra e quais ensaios não destrutivos permitem encontrá-lo antes da falha.

O que é CUI

CUI (Corrosion Under Insulation) é a corrosão da superfície externa de tubulações, vasos e equipamentos que estão revestidos com isolamento térmico. O isolamento não causa a corrosão: ele cria a condição para que ela aconteça. Quando água entra no sistema — chuva, condensação, vapor de purga, lavagem de área — o material isolante a retém junto ao metal, formando um ambiente úmido, aerado e frequentemente contaminado com cloretos e sulfatos lixiviados do próprio isolante.

Em aço-carbono o resultado é corrosão generalizada e alveolar, muitas vezes com camadas espessas de produto de corrosão. Em aços inoxidáveis austeníticos o mecanismo dominante é a corrosão sob tensão por cloretos (ESCC), que produz trincas ramificadas e pode levar à falha com perda de espessura mínima.

O que torna a CUI crítica não é a taxa de corrosão em si, mas a invisibilidade: a inspeção visual externa vê apenas a chapa de revestimento intacta. O dano só aparece quando o isolamento é aberto — ou quando o equipamento vaza.

Onde a CUI se concentra

A CUI não é uniforme ao longo da linha. Ela se concentra nos pontos onde a água entra e onde ela não consegue sair:

  • Penetrações e descontinuidades do revestimento: suportes, bocais, instrumentos, drenos e vents.
  • Terminações do isolamento, juntas de expansão e transições entre trechos isolados e não isolados.
  • Regiões de baixo ponto, curvas e trechos horizontais onde a água percolada se acumula.
  • Áreas sob deluge, próximas a torres de resfriamento, purgas de vapor ou lavagem frequente.
  • Isolamento danificado, amassado ou com selagem degradada após manutenção.
  • Trechos com serviço cíclico ou intermitente, que alternam entre seco e úmido.

Por isso um programa eficiente de CUI é, antes de tudo, um exercício de priorização: mapear os circuitos suscetíveis e concentrar a inspeção nos pontos de maior probabilidade, em vez de tentar cobrir toda a planta com o mesmo esforço.

Faixas de temperatura críticas

A severidade da CUI depende da temperatura da superfície metálica, porque ela determina se a água permanece líquida em contato com o metal. As faixas abaixo são as tipicamente adotadas como referência de triagem para aço-carbono; os valores aplicáveis devem seguir a prática recomendada vigente adotada pela planta.

Faixa de temperaturaCondição típica
Abaixo de -10 °CÁgua congelada; risco baixo enquanto a temperatura se mantém
-10 °C a 60 °CÁgua líquida presente; risco moderado, agravado por condensação
60 °C a 120 °CFaixa de maior severidade em aço-carbono
120 °C a 175 °CRisco decrescente, mas elevado em serviço cíclico
Acima de 175 °C (contínuo)Superfície seca em operação; risco concentrado nas paradas

Serviços cíclicos merecem atenção especial: uma linha que opera acima de 175 °C mas para com frequência passa repetidamente pela faixa crítica durante o resfriamento.

Métodos de inspeção aplicáveis

Nenhum método isolado resolve CUI. A estratégia usual combina uma técnica de triagem de grande cobertura com uma técnica de quantificação aplicada apenas nos pontos suspeitos.

Radiografia digital em perfil (RT em perfil / DR)

Imagem da parede da tubulação através do isolamento, sem removê-lo. Boa para detectar perda de parede localizada e água retida em diâmetros pequenos e médios. Exige controle de área e fonte radioativa ou de raios X.

Ultrassom de ondas guiadas (GWT / LRUT)

Varredura de longos trechos de tubulação a partir de um ponto de acesso, com detecção de perda de seção ao longo de dezenas de metros. É triagem: aponta onde inspecionar, não mede espessura.

Medição ultrassônica de espessura (UT)

Quantificação da espessura remanescente nos pontos onde a triagem indicou perda. Requer acesso ao metal — janela de inspeção no isolamento.

Termografia infravermelha

Identifica isolamento molhado ou degradado pela diferença de comportamento térmico. Indica onde a água está retida — um forte indicador de risco de CUI — mas não mede o dano no metal.

Pulsed Eddy Current (PEC)

Estimativa de espessura média de parede através de isolamento, chapa de revestimento e produtos de corrosão, sem contato com o metal. Boa cobertura para triagem; resolução limitada para pites isolados.

Inspeção visual com remoção localizada

Etapa final de confirmação: abertura do isolamento nos pontos priorizados, avaliação visual da superfície e do estado do revestimento, medição de espessura e registro fotográfico.

Comparativo rápido

MétodoRemove isolamento?FunçãoCobertura
RT em perfilNãoDetecção e estimativa de perdaLocalizada
Ondas guiadasSó no ponto de acessoTriagemLongos trechos
PECNãoTriagem quantitativaÁrea ponto a ponto
TermografiaNãoIndício de umidadeAmpla e rápida
UT de espessuraSim (janela)QuantificaçãoPonto a ponto

Como montar um programa de CUI

  1. 1Levantar os circuitos isolados e classificá-los por suscetibilidade: material, temperatura de operação, ciclagem, idade do isolamento e histórico de vazamentos.
  2. 2Priorizar os pontos de maior probabilidade — penetrações, terminações, suportes e baixos pontos — em vez de distribuir esforço uniformemente.
  3. 3Aplicar triagem de grande cobertura (ondas guiadas, PEC, termografia ou RT em perfil) nos circuitos prioritários.
  4. 4Abrir janelas de inspeção apenas nas indicações relevantes, com inspeção visual e medição ultrassônica de espessura.
  5. 5Registrar espessuras, fotos e condição do revestimento de forma posicionada, para permitir o cálculo de taxa de corrosão entre campanhas.
  6. 6Realimentar o plano: revisar a priorização e o intervalo de inspeção com base nos resultados encontrados.

Este guia é uma introdução ao tema. Os requisitos, critérios de aceitação e intervalos aplicáveis são os das normas e práticas recomendadas vigentes adotadas pela instalação, sob responsabilidade de inspetor qualificado.

Perguntas frequentes

O que significa CUI?

CUI é a sigla de Corrosion Under Insulation — corrosão sob isolamento. Ocorre na superfície externa de tubulações, vasos e equipamentos revestidos com isolamento térmico, quando água penetra no sistema isolante e fica retida em contato com o metal.

É preciso remover o isolamento para inspecionar CUI?

Nem sempre. Técnicas de triagem como radiografia digital em perfil, ultrassom de ondas guiadas e termografia permitem identificar áreas suspeitas com o isolamento instalado. A remoção localizada costuma ser feita apenas onde a triagem indicou perda de material, para inspeção visual e medição de espessura.

Qual é a faixa de temperatura mais crítica para CUI?

As faixas em que a água pode existir na forma líquida em contato com o aço são as mais críticas — tipicamente entre aproximadamente -10 °C e 175 °C para aço-carbono, com maior severidade em torno de 60 °C a 120 °C e em serviços cíclicos que alternam entre operação e parada.

CUI afeta aço inoxidável?

Sim. Em aços inoxidáveis austeníticos o mecanismo predominante é a corrosão sob tensão por cloretos (ESCC), favorecida por cloretos lixiviados do isolamento e por temperaturas de superfície elevadas.

Equipamentos e apoio técnico

A Synvor comercializa equipamentos de ensaios não destrutivos e presta apoio técnico na seleção do método e da configuração adequada à sua aplicação. A execução da inspeção é do contratante ou da empresa de inspeção.